Tipos de câncer

Gastro

Associa-se com intolerâncias alimentares e perda de peso. A cirurgia poderá envolver uma gastrectomia subtotal ou total, que reduz intensamente a capacidade de acomodação de grandes refeições. Nestes casos, o paciente necessitará consumir permanentemente seis refeições pequenas, ao invés das três maiores habituais.

A quimioterapia e radioterapia poderão ser associadas, melhorando a sobrevida do paciente porém criando complicações adicionais.

Dependendo da modalidade de reconstrução do trânsito gastrointestinal, poderá surgir um efeito adverso denominado “dumping” (esvaziamento gástrico acelerado). Caso suceda, alimentos doces deverão ser restritos, particularmente os doces concentrados (geleias, compotas, refrigerantes açucarados, cocadas, goiabadas).

As intervenções nutricionais mais úteis são dieta oral ajustada às condições de tolerância e suplementos orais calórico-proteicos. Dieta de sonda ou jejunostomia (nutrição enteral) poderá estar indicada na hipótese de tumores obstrutivos.

Pâncreas

Pâncreas - Gastro Neste tipo de câncer as queixas podem ser variadas, desde dor (no abdômen ou nas costas), até icterícia (olhos e pele amarelados), vômitos, e mal estar intenso.

A cirurgia é frequentemente necessária, e poderá ser bastante extensa, e a quimioterapia também é bastante utilizada. Já a radioterapia é mais rara neste contexto.

Não é frequente, porém alguns pacientes que enfrentaram operações extensas ficam diabéticos no pós operatório. Neste caso um regime dietético apropriado deverá ser seguido.

As intervenções nutricionais mais úteis são dieta oral ajustada às condições de tolerância e suplementos orais calórico-proteicos. Dieta de sonda ou jejunostomia (nutrição enteral) poderá estar indicada na hipótese de tumores obstrutivos.

Fígado

Fígado - Gastro  O fígado é o órgão interno mais afetado por tumores, todavia a grande maioria é secundária. São tumores primitivos de outras estruturas como estômago, intestino grosso, pâncreas, pulmão, etc., que ao se disseminar (metástases), invadem o fígado.

Há tumores primários de fígado também, e não são raros. Geralmente se instalam em pessoas já portadoras de doença crônica (cirrose do fígado), decorrente de alcoolismo, hepatite B ou C, doença gordurosa do fígado (esteatose) e outras. Todavia, existe câncer de fígado em quem jamais sofreu de cirrose.

Os sintomas podem ser diversos: aumento de volume do fígado, com ou sem dor, icterícia (olhos e pele amarelados), ascite (derrame de líquido no abdômen), anemia e emagrecimento.

Também os métodos de tratamento são múltiplos. A cirurgia é quase sempre considerada e pode ser de grande porte. Em algumas ocasiões o transplante de fígado pode ser uma opção.

Certos tumores são manejados por técnicas locais, como radioablação ou crioablação. Introduz-se no tumor, pela pele ou durante um procedimento cirúrgico, um tubo que irá transmitir ao tumor alguma forma de energia para destruí-lo. Pode-se ainda introduzir pela pele um tubo, injetando uma substância que irá obstruir os vasos sanguíneos do tumor (embolização, quimio-embolização).

A quimioterapia é bastante utilizada, diferentemente da radioterapia que quase não encontra indicações.

Os tumores de fígado são nutricionalmente debilitantes por vários motivos. Podem se instalar em pessoas já desnutridas por hepatite ou cirrose de longa duração. Eles mesmos precipitam a queda da fabricação de proteínas, pois o fígado é a grande usina de síntese proteica do organismo. Assim sendo, tendem a se acompanhar de ascite (derrame abdominal) e inchaço nas pernas. Finalmente, os tratamentos necessários poderão ser complexos e agressivos, comprometendo a capacidade de alimentação.

Nestas circunstâncias, não se deve abrir mão de nenhuma modalidade de recuperação nutricional. Inicia-se logicamente com dieta oral e suplementos orais calórico-proteicos, porém sem descartar a eventual necessidade de dieta de sonda (nutrição enteral) ou mesmo nutrição venosa (parenteral).

Colo e reto

Colo e reto - Gastro

Trata-se de uma enfermidade oncológica relativamente comum. Estima-se que uma pessoa em cada 20 adquirirá a doença ao longo da vida. O risco cresce a partir dos 50 anos, atingindo o pico após os 80 anos.

Os métodos diagnósticos melhoraram muito a perspectiva destes tumores, principalmente a colonoscopia. Trata-se de um longo tubo introduzido no intestino grosso através do orifício anal, e que permite visualizar possíveis lesões, inclusive retirando-as quando pequenas. Desta forma, evita-se que o tumor cresça e ameace a vida.

Há uma ideia prevalente que a desnutrição não é importante no câncer colo-retal. De fato, existe uma certa associação com obesidade. Ainda assim, pacientes afetados perdem peso, sejam eles previamente obesos ou não, e podem caminhar para formas acentuadas de carência nutricional.

A grande maioria dos casos deverá se submeter a uma intervenção cirúrgica, que poderá ser de grande porte, principalmente no caso de tumores de reto ou tumores de colo invadindo estruturas vizinhas. A quimioterapia também poderá ser agregada em algumas circunstâncias. No câncer de reto, uma das modalidades de tratamento é a quimio-radioterapia combinada.

Estudos de grandes populações apontam que estes casos frequentemente consomem gordura em excesso no seu dia a dia. Em contrapartida faltam fibras, cálcio, complexo B, e vitamina C no seu regime alimentar, sendo aconselhável repor estes nutrientes em falta.

À parte de eventuais deficiências antigas na dieta, indivíduos submetidos à cirurgia, quimioterapia ou quimio-radioterapia deverão receber atenção nutricional, a fim de evitar a desnutrição calórico-proteica. Todas as variantes de suporte nutricional citadas nos itens anteriores deverão ser consideradas, de acordo com a tolerância do enfermo (dieta oral balanceada, suplementos orais, dieta de sonda, nutrição parenteral).

Estômago

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Acomete mais homens do que em mulheres, tendo como principal causador uma bactéria chamada Helicobacter pylori, acompanhado do alto consumo de alimentos conservados no sal e defumados, obesidade, álcool e o tabagismo2. Os sintomas mais presentes são: perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas, dores abdominais, massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado podem ser levados em consideração. A endoscopia e a radiografia contrastada são exames utilizados para diagnóstico. O tratamento pode ser cirúrgico, além de radioterapia e quimioterapia são muitas vezes necessários para melhora na qualidade de vida do paciente1.

A melhor forma de prevenção é seguir uma dieta balanceada, composta por vegetais, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras. A vitamina C e vitamina A agem como protetores do estômago, e não podemos nos esquecer de higienizar bem os alimentos principalmente as carnes, peixes, frutas e verduras onde o H. pylori se faz presente1.

Referências

1. INCA, Estimativa/2016. Incidência de Câncer no Brasil; Ministério da Saúde, 2015.

2. INCA, Disponível em: . Acesso em 07 de junho de 2016.

3. GUERRA, M. R. et al., Risco de Câncer no Brasil: tendências e estudos epidemiológicos mais recentes. Ver. Brasileira de Cancerologia, 2005; 51(3): 227 – 234.


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