Elaine Severino Soares Cittadini

30 Mar, 2017

Há muito tempo não faço um checkup e, por insistência de minhas filhas, fui a um clínico geral em fevereiro deste ano. Ele solicitou uma série de exames, dentre eles os ginecológicos. Quando fui fazer a mamografia, a técnica se deteve mais na mama esquerda e fez chapas cada vez pormenorizadas. Não nego que fiquei meio encucada.

Em seguida, fui fazer o ultrassom de mamas, e o médico, de posse das minhas chapas da mamografia, comentou que era um simples nódulo. Fiquei mais tranquila. Estes exames foram realizados no dia 26 de março. No dia 28 de março, recebi uma ligação do laboratório (Salomão Zoppi) pedindo que eu retornasse, porque a médica que iria assinar o laudo da mamografia estava com dúvidas, e gostaria que eu refizesse o ultrassom. Compareci ao laboratório no dia 30 (sábado), com a Dra. Marilúcia, que comentou que não considerava um simples nódulo, recomendando uma biópsia. Ela acabou assinando os dois laudos (mamografia e ultrassom das mamas). De posse dos exames todos, retornei ao Dr. Sérgio (Clínico Geral), que me orientou a procurar o A. C. Camargo Câncer Center. Ai começa toda uma maratona. O Dr. Hugo, meu oncologista, pediu primeiramente a biopsia, que foi realizada em 17 de abril. Não preciso dizer que a partir do momento em que se é acusada uma anormalidade no seio, passa-se a viver com a dúvida e o medo e, eles te acompanham dia e noite. Além disso, não tinha apetite e, ao mesmo tempo, comecei a tomar medicação para o colesterol. Mas, também entendi que precisava reagir, e comecei a me cuidar e me alimentar. Neste tempo todo acabei perdendo cerca de seis quilos (pesava 67, fui para quase 61 quilos), o que acabou sendo positivo, porque fiquei dentro do peso. Retornando ao oncologista, ele passou o resultado da biópsia: Carcinoma Ductal in Situ, um câncer que requer cirurgia, radioterapia e medicação. Quando se ouve do médico que você tem câncer, primeiro a surpresa.

Você sempre acha que o câncer acontece com os outros, nunca com você. Depois você se pergunta, por que eu? O que eu fiz para merecer isto, será castigo?

É todo um processo, mas que você tem que encarar e trabalhar. Não tem como escapar. Sempre fui uma pessoa religiosa, e sei que Deus tem propósitos para cada um de nós. A doença não vem como uma maldição, mas como uma oportunidade, e, depende de nós, como aproveitá-la e transformá-la em uma benção. E foi e está sendo o que me propus a fazer. Fiz os exames pré-operatórios (todos em 28 de maio) e, de posse deles, meu médico marcou a cirurgia para o dia 17de julho. Um dia antes, foi realizada a demarcação das lesões, uma vez que não eram palpáveis. A operação transcorreu sem problemas, e no dia seguinte recebi alta. A lesão retirada (tinha forma de ampulheta) foi encaminhada para biopsia. O resultado confirmou o carcinoma ductal in situ, mas com menos de um milímetro de carcinoma ductal invasivo.

Ai vem mais um drama, porque o Dr. Hugo sugeriu de se fazer a retirada dos gânglios debaixo do braço (para se fazer a biopsia deles), explicando que era o procedimento padrão. Diante da minha reação com relação a outra cirurgia, o Dr. Hugo sugeriu de eu entrar em um estudo randomizado, realizado junto com a Itália, em que eles dividem as mulheres, 50% fazem a operação e 50% não fazem, e todas são acompanhadas durante cinco anos. Deu-me três dias para pensar. Após ler os papeis que ele havia me dado (em inglês) e, seguindo a voz de DEUS, decidi não realizar a operação, e nem entrar no estudo (porque poderia ser sorteada para ser operada), mesmo porque esta cirurgia além de ser invasiva, não tinha efeito curativo, apenas investigativo. Dr. Hugo, então, disse que iria me acompanhar trimestralmente, solicitando mais dois exames (para ver se não havia metástases): cintilografia óssea e ultrassom de abdômen total.

Bem, não preciso dizer que foram mais uns dias de angústia, porque afinal de contas somos humanos, mas ao mesmo tempo, DEUS me enviava muita paz dizendo-me CONFIA, vai dar tudo certo. Então, minha FÉ, só fez aumentar. Os resultados dos exames foram normais. Passei, depois, pela Oncologia Clínica que recomendou a medicação do tamoxifeno, uma vez ao dia e de uso contínuo, e acompanhamentos (ginecológico, oftalmológico e exames de sangue).

Estou aguardando o início do tratamento pela radioterapia, e continuo cada vez mais confiante e agradecida a DEUS, porque ELE não mexeu só comigo, mas também com todos que de alguma forma me amam e se preocupam comigo. Aprendi também que devemos nos cuidar, sempre. Sei que a boa alimentação que eu sempre tive, as caminhadas como exercício e a FÉ como um componente que só fez ajudar, foram e são componentes importantes na minha recuperação e na minha caminhada peregrina desta vida. Minha doença também mudou o direcionamento do meu olhar.

A vida é muito curta para ficarmos perdendo tempo com coisas pequenas. Sou uma mulher renovada, que procura a cada dia descobrir o essencial da vida e vivê-la nas pequenas coisas do dia a dia.


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