Alimentação em câncer

dietas da moda

19 Nov, 2018

Dietas são um tópico controverso em oncologia. Muitos pacientes tentam adaptar sua dieta para combater a doença, reduzir efeitos colaterais e melhorar resultados do tratamento. No topo da lista de dietas recomendadas para pacientes oncológicos estão a dieta cetogênica e a dieta alcalina.


A dieta cetogênica é baseada na teoria de que “ o açúcar alimenta o câncer”. É caracterizada por uma ingestão muito baixa de carboidratos e alta em gorduras. Alimentos fontes de carboidratos como pães, biscoitos, massas , algumas frutas e doces em geral são eliminados da rotina alimentar. Os estudos científicos que tentaram comprovar a eficácia da dieta cetogênica no tratamento do câncer são fracos, com número reduzido de participantes (máximo 50 a 70 pessoas), no qual poucos conseguiram cumprir a dieta até o final do tratamento (6 a 7 pessoas) devido a monotonia do cardápio. Além disso, conseguir que o paciente atinja suas necessidades nutricionais através de dieta tão restritiva é difícil, e os estudos mostraram que 70% dos pacientes que seguiram a dieta perderam até 8kg. Os resultados destes estudos não mostram benefício da dieta na redução ou progressão da doença.

Já a dieta alcalina é baseada em alegações de que alimentos que acidificam o corpo causam doenças crônicas, entre elas hipertensão, diabetes e até o câncer. Por esta teoria, alimentos como carnes, leite e produtos lácteos, açúcar e doces devem ser substituídos por alimentos que alcalinizam nosso organismo, tais como frutas, hortaliças, raízes, amêndoas, castanhas, nozes e feijões. Apesar da ampla divulgação desta dieta, quase não há pesquisas científicas para apoiá-la e Sociedades de Pesquisas contra o câncer já se manifestaram declarando que nosso corpo regula rigorosamente o equilíbrio ácido - base do sangue e as escolhas alimentares só afetam o pH da urina, não interferindo na acidez do corpo.

Portanto, se de um lado temos dúvidas sobre a eficácia destas dietas no tratamento do câncer, por outro lado temos a certeza de que a perda de peso e consequente desnutrição intensificam os efeitos colaterais e são causa frequente de interrupção de tratamento, interferindo negativamente no resultado final do mesmo. Seguir dietas restritivas não são boa estratégia para contribuir com o tratamento. Não existem alimentos ou dietas milagrosas. O organismo precisa de vários nutrientes que se encontram nos diferentes grupos de alimentos: proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.

Procure o nutricionista no início do tratamento. Este profissional poderá lhe indicar quais as melhores escolhas alimentares, adequar a dieta às suas necessidades nutricionais e auxiliar no manejo dos sintomas evitando a perda de peso e contribuindo para que você realize o tratamento conforme planejado.

 

Referências:
O conteúdo deste material foi desenvolvido exclusiva e integralmente pela Nutricionista Maria Emília Fabre

 

  • Nutricionista do Centro Médico do Aparelho Digestivo
  • Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela Braspen/SBNPE
  • Membro da EMTN do Centro de Pesquisas Oncológicas

Fontes:

  1. Erickson, N et al. Systematic review: isocaloric ketogenic dietary regimes for cancer patients. Med. Oncol. (2017) 34:72
  2. Hamanaka,R. Targeting glucose metabolism for cancer therapy.JEM, 2012
  3. Fenton,T. Systematic review of the association between dietary acid load, alkaline water and cancer. BMJ Open, 2016.

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