Alimentação em câncer

Obesidade e Massa magra: o que isso tem a ver com meu tratamento

05 Dec, 2018

A análise da composição corporal, incluindo a avaliação da massa muscular e da gordura vem sendo estudada em várias doenças, entre elas o câncer. A perda de massa muscular, independente de estar associada com perda de gordura, é o fator importante a ser considerado no planejamento e durante todo o tratamento.

Em oncologia, estudos demonstram que pacientes com peso normal ou abaixo e com bons índices de massa muscular, realizando quimioterapia ou radioterapia, terão menos efeitos colaterais e maior chance de realizar o tratamento sem redução de dose de medicamentos ou de radiação do que aqueles com excesso de peso, porém com baixa muscularidade.

A perda da massa e da força muscular, chamada de sarcopenia (fraqueza da carne) pode ocorrer antes e durante o tratamento do câncer por diversas causas, como gasto energético aumentado, perda de apetite, inflamação e desequilíbrio do metabolismo de nutrientes. Não é uma condição exclusiva de indivíduos desnutridos, pois pode ocorrer também em indivíduos aparentemente bem nutridos e é uma condição comum em obesos. Estudos científicos comparando, por exemplo, pacientes com câncer de esôfago obesos e desnutridos em quimioterapia verificaram que os obesos com perda de massa muscular tiveram três vezes maior risco de reduzir dose de tratamento do que os desnutridos sem perda. E qual razão explicaria este fato?

Várias são as hipóteses ainda estudadas, uma delas é que as doses de medicamentos utilizados na quimioterapia são baseadas em cálculo da área de superfície corporal, que considera o peso atual do paciente, sem considerar sua muscularidade e portanto em pacientes obesos, com perda de massa muscular, a dose pode ser superestimada e exacerbar os efeitos tóxicos do mesmo.

Importante salientar que a perda de massa muscular dos pacientes oncológicos pode ser prevenida ou atenuada com cuidado nutricional adequado, que atenda as necessidades do paciente, entre 30 a 35 Kcal/kg/dia e 1,5g de proteínas/kg/dia. Os ácidos graxos ômega-3, especialmente os ácidos eicosapentanóico (EPA) e docosahexaenoico (DHA) podem ser utilizados por seu efeito benéfico na preservação do peso e massa muscular durante a quimio e radioterapia. Aconselhamento nutricional intenso, com refeições fracionadas, preparações fortificadas, inclusão de alimentos que façam parte dos hábitos e preferências do paciente aliado a um suplemento nutricional hiperproteico com adição de ácidos graxos ômega-3 pode ser uma ótima estratégia para pacientes em tratamento oncológico que estejam perdendo peso e massa muscular.

Referências:
O conteúdo deste material foi desenvolvido exclusiva e integralmente pela Nutricionista Maria Emília Fabre

• Nutricionista do Centro Médico do Aparelho Digestivo
• Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela Braspen/SBNPE
• Membro da EMTN do Centro de Pesquisas Oncológicas

Fonte:
1- Barrére, A.P et al. Guia nutricional em oncologia, 2017.
2- Bougnoux, P et al. Improving outcome of chemotherapy of metastatic breast cancer by docosahexaenoic acid: a phase II trial. British Journal of Cancer, 2009.
3- Dela Vega, M.C, Laviano,A, Pimentel,G. Sarcopenia e toxicidade mediada pela quimioterapia. Einstein, 2016.
4- Silva, JP, Fabre, M.E, Waitzberg, D. Omega-3 suplements for patients in chemotherapy and radiotherapy: A Systematic review. Clinical Nutrition, 2014.


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