Alimentação em câncer

Desafios para que o paciente atinja suas necessidades nutricionais durante o tratamento

A orientação nutricional individualizada, que atenda às necessidades nutricionais do paciente é essencial para prevenir a perda de peso e melhorar os resultados obtidos durante e após o tratamento oncológico.

Entretanto, conseguir a adesão ao tratamento nutricional é um desafio: tanto para o paciente como para o profissional que o atende. Para conseguir comer, os pacientes precisam superar barreiras significativas de sintomas como perda severa do apetite, dor, mucosite, náuseas, vômitos, mudanças no paladar e entre outros sintomas. E esse talvez seja o maior desafio.

Além disso, para alguns pacientes, ter que retornar ao hospital para as consultas nutricionais, além da radio (RT) ou quimioterapia (QT), pode ser difícil e, essa situação pode ser mais difícil se o acompanhamento nutricional não é visto como componente central do tratamento do câncer pelos profissionais da equipe de saúde.

O profissional nutricionista precisa ter habilidade e tempo para conquistar a confiança do paciente e motivá-lo a mudar seu comportamento alimentar. Uma técnica motivacional testada em hospitais australianos tem demonstrado eficácia na adesão do paciente às orientações, uso de suplementos nutricionais e melhor aceitabilidade de alimentação por sonda, quando necessário. A técnica “Comer para Viver” é baseada em alguns princípios de mudança de comportamento, segundo os quais as pessoas são mais propensas a aderir às orientações quando:

  1. São levadas a pensar sobre o comportamento delas mesmas;
  2. A orientação faz parte de um plano concreto;
  3. Sentem que é importante, alcançável e está sendo acompanhado;

A técnica “Comer para Viver” reforça a importância de evitar a desnutrição e seu prejuízo nos resultados durante o tratamento. Enfatiza a alimentação adequada durante o tratamento explicando as razões dessa prática para o paciente, assim como a correlação entre desnutrição e piores resultados no tratamento. O esforço do nutricionista será para converter a motivação em mudanças concretas na alimentação. Para tal, é importante que o nutricionista entenda as necessidades e desejos do paciente e adapte a orientação às circunstâncias individuais de cada um. Orientações genéricas não são eficientes.

A consulta nutricional precoce, no início do tratamento, é fundamental para elaboração de um plano nutricional adequado às necessidades do paciente. Acompanhamento com reavaliação periódica durante o tratamento para adequação do que foi planejado com utilização de suplementos específicos via oral ou por sonda com objetivo de prevenir a perda de peso, contribuem para melhores resultados do tratamento e melhor qualidade de vida dos pacientes.

Este é um desafio que vai além da técnica e do conhecimento. Fatores como empatia, compreensão, atitude positiva de apoio e parceria do profissional nutricionista no atendimento nutricional são determinantes na mudança de comportamento alimentar e adesão às orientações.

 

Referências:
O conteúdo deste material foi desenvolvido exclusiva e integralmente pela Nutricionista
Maria Emília Fabre

  • Nutricionista do Centro Médico do Aparelho Digestivo
  • Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela Braspen/SBNPE
  • Membro da EMTN do Centro de Pesquisas Oncológicas

Fontes:
Britton B et al. Eating As Treatment (EAT) study protocol: a stepped-wedge, randomized
controlled trial of a health behavior change intervention provided by dietitians to improve
nutrition in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy. BMJ Open
2015;5.


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